No mês de conscientização da Doença de Parkinson, a informação se torna uma das principais aliadas para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. Segundo o neurocirurgião do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN), da Rede HU Brasil, Sérgio Dantas, trata-se de uma enfermidade neurodegenerativa associada à redução da produção de dopamina no cérebro, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.
A diminuição dessa substância compromete as conexões entre os neurônios, levando a sintomas característicos como tremores (especialmente em repouso), rigidez muscular, lentidão dos movimentos e alterações na marcha. “Também é importante observar mudanças na escrita, como a redução do tamanho das letras”, explica o especialista.
Embora ainda não tenha cura, o Parkinson conta com tratamentos capazes de controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. De acordo com o médico, a abordagem inclui o uso de medicamentos, reabilitação motora – considerada fundamental – e, em alguns casos, indicação cirúrgica.
Um dos principais avanços na área é a chamada estimulação cerebral profunda, procedimento neuromodulatório que consiste na implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro, conectados a um dispositivo semelhante a um marcapasso. “Esse tratamento é indicado quando os medicamentos já não conseguem controlar adequadamente os sintomas ou provocam efeitos colaterais relevantes, como a discinesia induzida pela levodopa”, destaca.
A técnica atua diretamente nos núcleos cerebrais hiperativados, normalizando sua atividade elétrica e reduzindo manifestações como tremor, rigidez e lentidão. Além disso, possibilita a diminuição das doses de medicamentos e promove maior autonomia ao paciente.
Atendimento multidisciplinar
No Huol/Rede HU Brasil, o atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar, envolvendo diferentes especialidades para tratar tanto os sintomas motores quanto os não motores da doença. Entre estes, estão distúrbios do sono, dores crônicas, alterações urinárias, dificuldades na fala e até depressão, que também podem ser bastante incapacitantes.
Dantas ressalta ainda a importância do acompanhamento contínuo e do suporte integrado, que inclui fisioterapia, fonoaudiologia e assistência médica especializada. “O tratamento deve ser individualizado e contínuo para garantir melhores resultados”, afirma.
Outro destaque é o pioneirismo do serviço em Natal. Segundo o neurocirurgião, a cirurgia para Parkinson é realizada na capital desde 2002, beneficiando centenas de pacientes ao longo dos anos. Ele acrescenta que o mês de conscientização cumpre um papel importante ao ampliar o conhecimento da população sobre a doença. “É fundamental mostrar que, apesar de não ter cura, o Parkinson pode ser tratado, permitindo que as pessoas mantenham uma qualidade de vida satisfatória”, conclui.





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