Especialista explica como experiências do cotidiano, brincadeiras, leitura e atividades em família podem ampliar o repertório e desenvolver habilidades cognitivas, sociais e emocionais durante o recesso escolar
Crianças e adolescentes aguardam ansiosos pelo período de férias, marcado pela possibilidade de dormir mais, descansar e se afastar da rotina escolar. Embora o descanso seja essencial, o período também pode oferecer oportunidades de aprendizagem por meio de experiências vividas em família, do contato com a natureza, da leitura, das viagens, das brincadeiras, dos jogos e das atividades culturais. É o que defende Karla Lavrador, Diretora Pedagógica do Ensino Fundamental Anos Iniciais da Rede Alfacem Global Academy.
“Mais do que uma pausa na rotina escolar, as férias constituem um tempo de formação integral. Quando há equilíbrio entre descanso, lazer e experiências enriquecedoras, crianças e adolescentes ampliam suas habilidades cognitivas, sociais e emocionais, retornando à escola com novos repertórios, maior autonomia e disposição para aprender”, afirma.
Segundo a educadora, passeios e vivências podem ampliar o repertório cultural e estimular o pensamento científico, criativo e crítico. Ao explorar novos lugares, conhecer diferentes culturas, conviver com pessoas diversas e enfrentar situações inéditas, crianças e adolescentes aprendem a observar o mundo sob diferentes perspectivas e conectam o conhecimento à realidade.
As experiências também contribuem para o desenvolvimento de competências socioemocionais, como empatia, cooperação, responsabilidade, autonomia, autoconhecimento, autocuidado, resiliência e capacidade de adaptação. “Momentos de diálogo, leitura compartilhada, filmes, jogos de estratégia e experiências em grupo contribuem para o desenvolvimento da argumentação, da criatividade e da tomada de decisões de forma ética e consciente”, comenta Karla.
Atividades simples do cotidiano podem se transformar em experiências educativas. Preparar uma receita, organizar um roteiro de viagem, visitar um parque, ler um livro juntos, brincar ao ar livre, conhecer um museu ou fazer compras são situações que podem desenvolver autonomia, raciocínio lógico, comunicação, criatividade e responsabilidade.
“Esses momentos permitem que a criança aprenda de forma prática, conectando o conhecimento à sua realidade. Quando elas são incentivadas a observar, questionar, fazer escolhas, resolver pequenos desafios e compartilhar suas descobertas, o aprendizado acontece de forma natural, prazerosa e duradoura”, explica a diretora.
Para estimular a curiosidade, os pais podem fazer perguntas, ouvir as ideias dos filhos, propor desafios, jogos e atividades criativas e incentivar a leitura. O pensamento crítico também pode ser desenvolvido nas conversas sobre filmes, livros, viagens e situações vivenciadas. Nesses momentos, a família pode incentivar as crianças a observar, questionar, comparar informações, justificar opiniões e respeitar diferentes pontos de vista.
A autonomia, por sua vez, pode ser estimulada por meio de pequenas responsabilidades compatíveis com a idade. Participar da organização da rotina e das decisões familiares, fazer escolhas e resolver problemas contribui para fortalecer a confiança e o senso de responsabilidade.
Aprender também é brincar, conviver e descansar
Não é necessário viajar ou realizar atividades complexas para proporcionar experiências enriquecedoras. Visitas a parques, praças, bibliotecas, museus, centros culturais e feiras locais, além de momentos de leitura em família, jogos de tabuleiro, oficinas de arte, culinária, jardinagem e brincadeiras ao ar livre, são alternativas acessíveis que estimulam a criatividade, a curiosidade e a aprendizagem.
Também é possível ampliar o repertório cultural dentro de casa, por meio de filmes e documentários adequados à faixa etária, diferentes estilos musicais, histórias e tradições de outras regiões ou países, pequenas experiências científicas, quebra-cabeças e a produção de desenhos, textos ou diários de férias.
Apesar das possibilidades de aprendizagem, Karla reforça que as férias não devem ser transformadas em uma extensão da sala de aula. O período é essencial para o descanso, a convivência familiar e a renovação das energias, contribuindo para o bem-estar físico e emocional das crianças e para um retorno mais motivado às atividades escolares.
“É importante manter uma rotina equilibrada, com hábitos saudáveis de sono, alimentação e uso consciente das tecnologias. O desenvolvimento não depende da realização de atividades escolares formais durante as férias, mas da qualidade das experiências vividas”, orienta.
A educadora também destaca a importância de valorizar o tempo livre. Brincar, imaginar, conviver com a família, descansar e experimentar momentos de ócio criativo favorecem o desenvolvimento da autonomia, da criatividade e do equilíbrio emocional. Da mesma forma, o uso de telas deve ocorrer com intencionalidade e moderação, privilegiando experiências que promovam interação, diálogo e descobertas.
“Acima de tudo, as famílias devem valorizar o tempo de qualidade e a participação ativa das crianças nessas vivências. As melhores aprendizagens das férias costumam nascer das experiências compartilhadas e das memórias afetivas construídas em família”, conclui Karla.





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