Mais de dez anos após a epidemia de Zika, as famílias de crianças nascidas com a síndrome do vírus agora enfrentam novos desafios, com a chegada da pré-adolescência e puberdade dessas crianças. Considerando as novas demandas desse público, o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) promoveram, na última quarta-feira (2), uma oficina de capacitação e atualização para profissionais de saúde da atenção básica do Rio Grande do Norte, realizada no Instituto Santos Dumont (ISD), em Macaíba.
A atividade configurou o quarto ciclo da oficina “Fortalecimento da Linha de Cuidado às Crianças com a Síndrome Congênita do Zika Vírus”, iniciada em 2025 em dez estados do Brasil elencados como prioritários. Conduzida por representantes do Ministério da Saúde e da Fiocruz, a iniciativa busca atualizar de forma teórica e prática profissionais vinculados à Atenção Primária em Saúde (APS) e à Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap/RN).
Uma das profissionais que conduziu a ação foi Lérida Serrano, assessora técnica da Coordenação-Geral de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens do Ministério da Saúde. Segundo a representante do Ministério, a ação surgiu a partir de uma demanda de pais, responsáveis e tutores de crianças nascidas com a Síndrome Congênita do Zika Vírus e microcefalia, que atualmente vivenciam novos desafios cotidianos e precisam ter suas demandas contempladas.
Para Lérida, a integração da iniciativa das oficinas com os serviços especializados, como o Centros Especializados em Reabilitação (CER) do ISD, é fundamental para qualificar o cuidado e para contemplar uma maior perspectiva de qualidade de vida para crianças com Zika Vírus e suas famílias.
“No âmbito federal, a gente vem apoiando os estados para que esse trabalho aconteça dentro das unidades, tanto da APS (Atenção Primária em Saúde) quanto as especializadas. A gente vem fortalecendo instituições, como ISD, que vêm para agregar esse conhecimento numa parceria com o Estado e com a APS, para a qualificação profissional e reabilitação”, afirma Lérida.
Durante a oficina, realizada no Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi (Anita), unidade do ISD em Macaíba, os profissionais da atenção básica participaram de diálogos e debates sobre o cenário das crianças nascidas com Zika, os fatores envolvidos nos cuidados e na reabilitação e a visão multiprofissional no cenário atual. Além disso, houve uma atividade prática de estudo de caso e estruturação de um Plano Terapêutico Singular (PTS).
A médica pediatra e professora adjunta da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Nivia Arrais, participou da atividade e reforçou a importância das oficinas para discutir soluções para os desafios enfrentados por crianças, famílias e profissionais no contexto atual de evolução das pessoas atingidas pela epidemia da Zika.
“As crianças com Zika têm várias demandas. Ao passo que elas vão crescendo, outras demandas vão surgindo, outro tipo de questão que três, quatro anos atrás a gente não tinha. Então a escola, as terapias, as condições neurológicas, precisam de um olhar diferenciado multiprofissional,” reforça a profissional.





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